Razão

Autor:Helder Martins Leitão
Páginas:9-9
 
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Razão
É, venho dizer-vos porque desenvolvo o tema da penhora.
Infelizmente tem actualidade, a malfadada.
Os políticos que nos dirigem, tanto amerdaram a vida económica que a penho-
ra assumiu foros de brilhante estrela.
O descalabro é tanto e vasto, que suicidados pelo desvario económico que nos
consome, chega a penhora, monstro abutre, a roubar nosso esqueleto.
A execução mata, esfola.
A penhora não vai morrer de fome…
Enfrentemos a hidra.
Ponto que a conheçamos, por fora, por dentro, do lado A, do lado B, por cima,
por baixo.
Para a obstarmos, ao menos salvemos a alma.
Será mais necessário dizer para justificar esta saída a lume?
Este foi o texto de proémio aquando da saída a lume da edição antecedente.
Escrito que – conturbada vida nossa! – se mantém ainda mais premente face
à desgraça que em cima nos caiu.
Conta-se que Raúl de Castro no intróito de um longo discurso (à laia do irmão)
proferido na Praça da Revolução disse aos circunstantes que tinha uma boa e uma má
notícia para dar, indagando-lhes por onde deveria começar.
A ululante turba votou pela boa, ao que o discursante, então, disse:
– Ante as dificuldades que nos assolam, camaradas, vamos ter de comer
merda.
Coño, se essa é a boa notícia, qual é a má?
O interpelado não se fez rogado:
– É que a merda não vai chegar para todos...
Ora, infelizmente, a qualquer um de nós portugueses, poderia ser-lhe dirigido
o dito discurso e, mais do que isso, assentar-lhe que nem luva feita à medida.
Helder
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