Autonomia de amanhã

Autor:Arnaldo Ourique
Ocupação do Autor:Faculdade de Direito de Lisboa
Páginas:212-214
 
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212
Autonomia de amanhã, (
73)
I
Naquele tempo as mercadorias chegavam à ilha por barco, era ali no cais Pátio
da Alfândega e no cais do Porto das Pipas, dependia do barco ou do estado do mar.
Joaquim Vicentino Ormonde com os seus oitenta e sete anos de idade não dispensava o
privilégio de descer da chã à Cidade, dirigir-se na sua carroça à borda-d’água para
levantar as suas encomendas vindas da capital. Naquele dia levantava pouco, duas
nogueiras enxertadas e prontas a plantar no quintal. Dois larápios que ali estacionavam a
malandrar nisso os tempos não mudaram nada acharam estranho que Vicentino
Ormonde já com os pés mais para a cova do que para os afazeres da terra, se desse ao
trabalho de plantar árvores de fruta. Um deles não resistiu a perguntar:
Oh Ti Jaquim!, que diabo!, com a sua idade... o senhor não sabe que a
nogueira leva muito tempo a crescer e pior ainda a dar fruto?!
Ao que Joaquim retorquiu: Toda a vida comi nozes e não fui eu que as
plantei.
II
O político, com responsabilidade autonómica, não tem, como é habitual ver, a
responsabilidade de governar com o sistema autonómico disponível. Muito mais: tem,
além de respeitar o passado, que deixar o sistema melhorado, ou pelo menos não
piorado, relativamente àquilo que possui. Os antigos na pressa da vida calma tinham
esse tipo de preocupação: um homem ia deste mundo para melhor quando deixava obra
feita; os modernos na calma da vida apressada não têm esse sentimento em atos. Isso é
um desrespeito do passado e do futuro, e de igual modo do presente, sobretudo de nós
próprios. Mas temos que viver com o que temos e não com o que poderíamos ter.
Nos quase quarenta anos de autonomia dos Açores apenas dois partidos políticos
foram os protagonistas, até agora o primeiro com, números redondos, vinte anos e o
segundo a caminhar para igual período. É um historial importante e é aliás uma
referência já histórica.
Os últimos governos, na vertente do Direito Constitucional e Autonómico, não
cumpriram os seus mandatos. No primeiro, de 1996 a 2000, participaram ativamente na
(73) Publicado na revista XL do Diário Insular, em 09-06-2013.

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