A importância estratégica dos Açores

Autor:Arnaldo Ourique
Cargo do Autor:Licenciado, Pós-Graduado e Mestre em Direito, Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Páginas:59-61
 
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2.20 A importância estratégica dos Açores (
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A movimentação estratégica dos Açores ao longo dos anos traduz-nos uma ideia de
importância geoestratégica das ilhas no contexto atual. E acontecimentos recentes até nos
orientam por aí: a criação recente do Instituto de Estudos Europeus e Relações
Internacionais, que será sem dúvida um polo de discussão privilegiada destas matérias; o
novo titular do cargo de Representante da República nos Açores, diplomata que teve
responsabilidades no Acordo entre Portugal e os EUA a propósito da Base das Lajes; e
MEDEIROS FERREIRA na sua recente obra Os Açores na Política Internacional pugna pelo
«ainda» interesse militar dos Açores. Mas não só: sistematicamente uma aposta da
Universidade dos Açores para a disciplina de Relações Internacionais e uma plêiade de
novos mestres nesta área importante do conhecimento. Essa realidade traduz um
movimento intelectual significativo do pensamento açoriano. Mas isso traz-nos ao
pensamento dois pontos para reflexão.
Geoestratégia.
Para os otimistas os Açores perderam interesse militar depois do fim da Guerra Fria,
sustentando-se nas novas tecnologias que permitem o domínio sem necessidade de uma
base física especificamente nos Açores. Já os realistas pensam diferente porque a anarquia
própria das relações internacionais e a propensão para a dimensão e domínio militares das
grandes potências justificam o maior número de bases. Entre estes dois caminhos de
interesse dos Açores há um ponto de interceção: o que interessa à Região? O interesse dos
EUA pelos Açores é geopolítico e não tanto geomilitar. Porque tem o domínio militar de
uma forma verdadeiramente colossal; porque para se atingir tal dimensão militar é
necessário muitos anos e uma matriz que não se reconhece a nenhum outro Estado na
atualidade; este, pois, e mais metade do próximo século, serão ainda dos EUA (HENRY
KISSINGER em entrevista a propósito do seu recente livro opinava nesse sentido). Mas
estamos já no século XXI, a tecnologia permite dispensar, do ponto de vista técnico-
-militar, os Açores. Queremos dizer, portanto, que a importância dos Açores nas relações
internacionais dos EUA é mais geopolítica do que geomilitar. Em termos macro os EUA
não necessitam tecnicamente dos Açores. A sua necessidade é muito diferente: é de
prestígio, de valor político. Quando se é grande é necessário manter uma aparência de
23 Publicado em 21-08-2011.

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