Laivos de independência dos Açores (entrevista)

AutorArnaldo Ourique
Cargo do AutorLicenciado, Pós-Graduado e Mestre em Direito, Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Páginas368-369
368
LAIVOS DE INDEPENDÊNCIA DOS AÇORES (ENTREVISTA) (
93)
Perspetiva-se na ilha de S. Miguel, assim como em 1975, uma certa onda
independentista motivada sobretudo por velas aspirações desse â mbito. Pode dizer-se
que existe nos Açores uma forte tendência para as ideias independentistas?, e isso tem
reflexos no modelo do sistema autonómico?
É difícil, senão impossível mesmo, saber o que vai na cabeça das pessoas em
momentos de crise como é o caso premente atual. No entanto, os açorianos sempre
mostraram ao longo dos anos, desde 1580 por exemplo, querer pertencer ao universo
lusitano. Julgo, portanto, que hoje o movimento independentista, se é que existe mesmo,
é mais o resultado da crise financeira do que a premência de independência. E é preciso
dize-lo: no contexto específico de autogoverno, os Açores são independentes do Estado,
assim como o Estado é independente da União Europeia; isto é, a Região está viva, e
bem viva, saibam os açorianos saber fazer melhor a partir de agora do que se fez até
aqui.
Mas o movimento independentista é antigo nos Açores. Não existirá,
insistimos, uma ideia mais forte no imaginário açoriano, seja pela antiguidade da
matéria, seja pela existência dum “partido regional” que defende tal modelo de
governo dos Açores?
Nos Açores podemos identificar duas modalidades de independentistas: por um
lado, aquele que revejo naquilo que existe em S. Miguel; e por outro, um mais radical
que encontro em pessoas individualmente, mas não suficiente para se considerar
movimento. No primeiro caso está em causa uma ideia de independência num contexto
de manutenção da portugalidade. Repare como em 1975 e agora em 2012 os
intervenientes sistematicamente sublinham que não estão contra a República e não
querem deixar de constituir-se portugueses, a até cantavam em altos brados A
Portuguesa. Ou seja, esse sentimento, e não é por acaso que se centra em S. Miguel
(onde existiu um movimento republicano verdadeiramente exemplar), é herdeiro das
(93) De 06-06-2012, não chegámos a enviar para publicação.

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