A Torre de Babel da Administração, 1

Autor:Arnaldo Ourique
Cargo do Autor:Licenciado, Pós-Graduado e Mestre em Direito, Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Páginas:27-28
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A TORRE DE BABEL DA ADMINISTRAÇÃO, 1 (
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Já aqui tivemos oportunidade para reflectir sobre a incapacidade de gestão que é
apontada como sendo o principal dificuldade de Portugal. Acrescentámos que essa
incapacidade tanto é no sector privado como no público, mas sobretudo este último
porque se, por um lado, verifica-se um profundo interesse em não levantar poeira
devido à ligação directa aos membros do governo e mais ainda ao seu presidente, por
outro lado, verifica-se uma profunda incapacidade de origem cognitiva uma
ignorância das mais profundas porque se traduz, não tanto no não saber, que isso é
natural, mas no não querer saber.
O sector privado, no entanto, é empurrado para a modernidade da gestão: em cada
momento a adopção de medidas para solucionar a questão presente e preparar o futuro a
curto e longo prazo. Isso implica conhecer o factor mais importante da gestão: o pessoal
porque é este, a limite, que leva a empresa ao fundo ou ao êxito. O acompanhamento
dessa realidade, para os que como nós meros observadores, é interessante ver esse
esforço constante e permanente, uma permanente e constante alteração de paradigma
para obter o mais fácil e rápido lucro. O que seria aliás de esperar, já que é um mundo
que vive exclusivamente do lucro.
O sector público não vivendo do lucro, vai mais longe: vive da sobrevivência do sistema
o que engloba factores de identidade lucrativa. Mas eis que quando a vivacidade
moderna actual empurra a administração pública para uma gestão real, tudo é surpresa.
Um exemplo é sintomático para demonstrar a dimensão da inércia e da ignorância (no
sentido que acima vimos): o Simplex oferece prémios financeiros a quem, no âmbito
duma matriz competencial, tiver uma boa ideia para certo aspecto procedimental da
administração pública. Se a ideia foi pensada para manter a população da administração
pública longe da inteligência – trata-se sem reservas de excelente ideia; mas se o foi
apenas no pressuposto de que assim se melhoram os serviços públicos e os
trabalhadores públicos – trata-se sem reservas duma excelente idiotice. Quer a excelente
ideia, quer a excelente idiotice são assim tão exactamente porque não é nesse tipo de
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) Publicado em 23-05-2010.

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